15/02/2010 - Potencial de crescimento.
Potencial para crescer
Número de pequenas e médias empresas
cresce de forma contínua, e a indústria de cartões tem
estreitado o relacionamento com esse segmento
* Aldemir Bendine
O Brasil reúne atualmente entre 5 e 6 milhões de empresas classificadas
como pequenas ou médias, que estão distribuídas nos setores de comércio,
indústria e serviços. O número é expressivo e, quando nos aprofundamos um
pouco mais para compreender melhor como elas estão inseridas no contexto
macroeconômico do País, surgem inúmeras surpresas. A primeira, e talvez a
mais importante – considerando que o fantasma do desemprego tem
assombrado muitas pessoas –, é que aproximadamente 60% dos
trabalhadores com carteira assinada têm seus registros feitos por pequenas e
médias empresas. Também impressiona positivamente o fato de que, juntas,
elas respondem por aproximadamente 20% do PIB (Produto Interno Bruto)
brasileiro. Mais um dado. Enquanto o faturamento médio das grandes
empresas avançou nos últimos anos modestos 6%, o das pequenas e médias
cresceu 15%, mais que o dobro.
As informações acima evidenciam que esse é um segmento que não
pode ser desprezado e, principalmente, demanda atenção cada vez maior do
governo e de outros setores da economia. Alguns pessimistas podem
argumentar que o índice de mortalidade entre as pequenas e médias empresas
é alto, e aqui cabe destacar uma pesquisa divulgada alguns anos atrás pelo
Sebrae (Serviço Nacional de Apoio às Pequenas e Médias Empresas). Nesse
estudo, coordenado pelo Vox Populi, foi constatado que a taxa de
sobrevivência das pequenas e médias companhias entre 2003 e 2005 atingiu
78%, ante 50,6% em anos anteriores, ou seja, tem aumentado de forma
expressiva e consistente.
É inegável que a crise financeira internacional tem provocado muitos
estragos, e um dos efeitos colaterais é a mudança de humor em muitas
companhias, dos mais diferentes tamanhos. Mas, ao invés de se apoiar nos
problemas e ficar lamentando os fatos – uma postura nada positiva e que não
leva a lugar algum –, o momento requer uma dose ainda maior de senso de
oportunidade, ousadia, criatividade e inovação, e eu sou partidário da crença
de que as pequenas e médias empresas representam a principal ferramenta
para manter a economia aquecida.
A indústria brasileira de cartões, que em 2008 foi responsável por mais
de R$ 375 bilhões em transações, tem olhado esse segmento com bastante
atenção e satisfação. Há 10 anos, o total de estabelecimentos comerciais que
aceitava cartões era pouco superior a 550 mil, e hoje supera a marca de 1,4
milhão, uma das maiores redes do planeta. No mesmo período, o número de
pequenos e médios lojistas que passou a trabalhar com cartões mais que
dobrou de tamanho, e hoje eles respondem por 87% do total de
estabelecimentos credenciados.
Se por um lado a rede de estabelecimentos credenciados no Brasil
cresce graças à concordância de pequenos e médios empresários em aceitar o
cartão como meio de pagamento, é o próprio cartão que garante a muitos
lojistas a possibilidade de ampliação do volume de vendas. Isso ocorre porque
como o plástico assegura ao seu portador crédito na hora e prazo para
pagamento, muitos consumidores decidem a compra com base nesses fatores,
além é claro de aspectos como segurança e agilidade.
Se para o portador do cartão existem benefícios, para o lojista não é
diferente. Ao aceitar o plástico como meio de pagamento, ele se vê livre do
risco da inadimplência, um dos maiores problemas do comércio. A explicação
aí é que o risco do crédito é totalmente assumido pelo emissor do cartão. Ao
aceitar um cartão o lojista também reduz a movimentação de papel-moeda no
estabelecimento e tem melhor controle sobre o fluxo do caixa.
Nos últimos anos a relação entre o setor de cartões e as pequenas e
médias empresas avançou de forma consistente e com qualidade, e um
indicativo nesse sentido é o próprio Código de Ética e Auto-regulação da Abecs
que entrou em vigor janeiro. Nesse código, que tem como objetivo funcionar
como um guia de conduta e zelar pelas boas práticas comerciais, estão
descritos procedimentos específicos na relação com os lojistas, e também com
os portadores de cartões.
Mas a despeito da forte parceria entre as pequenas e médias empresas
com o setor de cartões, é inquestionável que existe a possibilidade de melhoria
e aprimoramento. Prova disso é que o potencial de pequenas e médias
empresas com potencial para aceitar o cartão como meio de pagamento está
em contínuo crescimento.
Como eu afirmei alguns parágrafos atrás, em tempos de crise é
necessário ousar.
* Aldemir Bendine é presidente da Abecs (Associação Brasileira das Empresas
de Cartões de Crédito e Serviços)
Fonte: ABECS |